quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ler e Estudar

As Rãs e o Pintassilgo







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Quando o final de ano chega algumas coisas mudam. O clima muda. O humor das pessoas muda. Apesar de muitos de nós não sabermos direito o que é, sabemos, sentimos, pressentimos algo diferente. Apesar das músicas natalinas chegarem a ser enjoativas pelo insistente repetir nas lojas e propagandas, elas nos remetem a um tempo que passou. Geralmente, um tempo do qual sentimos saudade. Lembramos da família e dos amigos que hoje não estão mais presentes. Lembramos da infância. Lembramos de coisas que nem sequer temos certeza se já tivemos um dia: alegria e liberdade. Da infância lembramos das estórias, do mundo do faz de conta. E, por falar em estória, eu gostaria de compartilhar um pequeno conto de Theodore Roszak que nos remete para algo bem real e muito importante. Algo que deveria fazer parte sempre de nossas lembranças e, mais do que isso, da nossa vida.


“Num lugar não muito distante daqui, havia um poço fundo e escuro, onde se estabelecera uma sociedade de rãs. Tão fundo era o poço, que nenhuma delas jamais visitara o mundo de fora, e até acreditavam que não havia mundo fora.


O poço era o seu Universo. Havia sobejas evidências científicas para comprovar esta idéia; só um louco afirmaria o contrário. Certo dia, porém, voando por ali um pintassilgo, viu o poço, e resolveu investigar suas profundezas. Qual não foi sua surpresa ao descobrir as rãs! Mais perplexas ficaram estas, pois a criatura de penas colocava em questão todas as verdades já sedimentadas em sua sociedade.


O pintassilgo, com pena das criaturas, pôs-se a cantar. Cantou sobre a brisa suave, os campos verdes, matas, cachoeiras, animais, vida. A princípio gostaram, mas logo as opiniões se dividiram: algumas acreditaram, e começaram a sonhar com o outro mundo - ficaram mais alegres e bonitas - outras, fecharam a cara - heresia, absurdo, afirmações não confirmadas não deveriam ser dignas de crédito! Passaram a fazer as críticas de seu discurso: a serviço de quem estaria? Seu cântico seria narcótico? Ele era louco, ou enganador? A única dúvida que não existia é que aquele canto criara muitos problemas. Então, na próxima visita do pintassilgo, prenderam-no, e condenaram-no à morte!”


Que todos nós, neste final de ano, possamos ouvir aquele canto que nos mostra um mundo além! Que em cada coração haja humildade para aceitar o desconhecido, coragem para se entregar a esperança e um pouco de loucura para crer naquilo que parece improvável! E “não tenham medo. São boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: Na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. É, isso só poderia mesmo ser papo de anjo! Mas, se existe o pintassilgo, porque não acreditar em anjos?! Ouça! Acredite! E você começará a sonhar, ficará mais alegre e mais bonito!. E que “a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guarde o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus”. Amém.